Pare um momento e reflita!

Pare um momento e leia.

Confesso que quase deixei de escrever essa semana.
Confesso que as 7 páginas tranquilas de sempre serão 3 páginas sofridas hoje.
Confesso que as ideias longas serão frases entrecortadas por suspiros.
Confesso que hoje as piadinhas darão lugar a uma certa melancolia.
Confesso que estou olhando para a tela através das lágrimas que não param de cair.

E eu não posso evitar.
Não podemos evitar a tristeza e a saudade.
Não podemos evitar a morte.

Ela vai vir.
Mais cedo ou mais tarde.
Natural ou acidental.
Do nada ou de algo.
Pra mim e pra você.

É ela que nos torna inquestionavelmente iguais.
É ela que põe a prova qualquer classificação.
É ela que joga no chão e pisa em cima de qualquer preconceito.

Não importa a cor, raça, sexo, religião, etnia, nacionalidade, idade, classe social, tipo físico, profissão.
Não importa o tamanho da sua conta bancária, o tamanho do bem que você fez, o tamanho do seu sucesso, o tamanho da sua vida.
Não importa o quanto você queria ir ou não, o quanto você está preparado ou não, o quanto você foi feliz ou não.

Não importa.
Você vai morrer.

Pare um momento e pense.

O que você faria?
Se você só tivesse mais 1 ano de vida?
Se você só tivesse mais 1 mês?
Só tivesse mais 1 dia?
Só mais 1 minuto?
O que você faria?

E por que não fez?
Se não sabe se terá mais 1 ano de vida?
Se não sabe se terá mais 1 mês?
Se terá mais 1 dia?
Mais 1 minuto?
Por que não fez?

Não importa a família que você deixou, o filho que você não teve, o amor que você não viveu, a missão que você não seguiu, a decisão que você não arriscou.
Não importa a promessa que você fez, a reunião inadiável que você marcou, o projeto importantíssimo com o qual você se comprometeu, as contas que você não pagou, as pendências que você não resolveu.
Não importa as experiências que você deixou de ter, a pessoa que você deixou de ver, o abraço que você deixou de dar, o “eu te amo” que você deixou de falar.

Não importa mais.
Você já morreu.

E agora?

Pare um momento e lembre.

Você acha que vai pra onde?
Para o paraíso ou arder nos mármores do inferno?

Sua vida realmente valeu a pena?
Tem dúvidas ou com certeza?

O que você deixou de fazer?
Muito ou quase nada?

O que você deixou nesse mundo?
Nada demais ou muita coisa?

Do que você se arrepende?
De tanto ou de muito pouco?

O que os outros vão dizer?
Já foi tarde ou foi cedo demais?

Quem são esses outros?
Quem nem apareceu no seu velório ou quem está lá carregando seu caixão?

Quantas pessoas vão estar lá?
Meia dúzia ou uma multidão?

O que vão estar sentindo?
Pena ou saudade?

O que vão querer escrever na sua lápide ou nas redes sociais?
Nada ou tanto que nem cabe em palavras?

Essa semana eu perdi uma pessoa.
Uma pessoa desse tipo que não cabe em palavras.
Que eu vou morrer de saudade.
Que tinha uma multidão no velório.
Que eu estava lá carregando o caixão.
Que foi cedo demais.
Que provavelmente se arrepende de muito pouco.
Que deixou muita coisa nesse mundo.
Que não deixou de fazer quase nada.
Que teve uma vida que realmente valeu a pena.
Que com certeza está fazendo churrasco no paraíso.

Ainda bem!
Para ele e para quem fica.
Assim é muito mais fácil (ou menos difícil) aceitar, entender, superar e seguir.

Que em seu último instante as boas memórias estejam cravadas a ferro e fogo e fiquem contigo e com os outros para sempre.
E que as más lembranças estejam marcadas em areia fina e se esvaiam de você mesmo e de todo mundo para sempre.
Assim como foi com meu querido tio, de quem só guardamos as coisas boas.

A vida é tudo e logo não é nada.

Tanto e tão pouco.
Alma, sentimentos, pensamentos tão profundos e apenas batidas constantes de um coração ou ondas pulsantes numa massa cinzenta.

Tão longa e tão efêmera.
Sonhos, planos, lutas tão longas e apenas um pequeno deslize ou um último chamado.

A morte é a única certeza que temos nessa vida.
E a vida plena é a única certeza de uma morte plena.

Então viva, não apenas sobreviva.
Morra do pecado de ter vivido, não do infortúnio de não ter conseguido sobreviver.

Pare um momento e reflita!

Eu já passei por essa “experiência funeral” em alguns treinamentos e eventos, com técnicas de meditação que fazem tudo ser tão real que eu verdadeiramente me senti no meu próprio leito de morte.

E foi refletindo sobre tudo isso que eu decidi não deixar de escrever pra vocês essa semana e também mudei infinitas outras coisas na minha vida nos últimos tempos.

Espero que essa reflexão também faça com que você mude alguma coisa nesse seu próximo minuto, no seu dia, na sua semana, no seu mês, no seu ano.

Se mudou, me conta o que foi.
Divide comigo seus pensamentos.
Ler os seus comentários com certeza trarão uma grande alegria para esses dias tão tristes.
Ouvir o alento de vocês com certeza trará uma grande leveza para esses dias tão duros.
Compartilhe com alguém que talvez também esteja precisando ler isso.

Espero que esse post não tenha trazido uma bad para o seu clima de Carnaval, muito pelo contrário, que ele seja mais um daqueles momentos para fazer a sua vida realmente valer a pena.
Que essa magia contagie e recarregue as suas energias positivas para “começar esse novo ano” (pelo menos para os brasileiros rsrs) com uma nova visão da vida.
Eu realmente pretendo e preciso recarregar as minhas.

Meu maior aprendizado desse episódio?
Tudo tem seu tempo.
O tempo da morte, nunca saberemos.
O tempo da vida, é agora.

Carpe Diem! Bom Carnaval! E Feliz 2017!

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2 comentários sobre “Pare um momento e reflita!

  1. Belíssima reflexão. Pensar na morte é algo que nos deixa triste, porém é importante pensar e viver o dia de hoje. Precisamos nos amar e nos respeitar. Amar as pessoas que estão a nossa volta. Procurar fazer tudo que possa para agradar nossa alma. A morte é a unica certeza que temos em nossa vida, só não sabemos a hora. Portanto, a ordem é viver cada momento consigo e com os outros como se fossem únicos. Saber aproveitar as oportunidades da vida, pois viver é algo esplendido e único.

    Meus sinceros sentimentos pelo seu tio. Mas tenha a certeza que está desfrutando de algo muito melhor. Conseguiu chegar em sua plenitude.

    Um forte abraço,

    Maria Antonia

    Curtido por 1 pessoa

  2. Oi Maria Antônia, maravilhosas palavras! Tenho certeza de que o que fazemos aqui é o que nos leva para essa plenitude e, como você disse, vamos saber aproveitar a oportunidade de sermos sempre a melhor versão de nós mesmos, como se aquele momento fosse o último. Muito obrigada pela mensagem! Um abraço!

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